Você que gosta de jogar futebol com os amigos aos fins de semana sabia que o aquecimento é fundamental para evitar lesões? Mesmo quando é apenas um hobby, preparar o corpo faz toda a diferença. Alongamento, aquecimento e fortalecimento ajudam a reduzir o risco de lesões, especialmente entre os chamados “atletas de fim de semana”, que nem sempre mantêm uma rotina regular de treinos.
Entre as ocorrências mais comuns está o estiramento da musculatura posterior da coxa, lesão frequente no futebol, principalmente no amador e que pode variar de quadros leves até casos graves, com possibilidade de cirurgia e afastamento das atividades.
Diante da importância do tema, a Unimed Prudente conversou com o ortopedista cooperado Dr. Caio Cerávolos Lemos, que esclareceu causas, sintomas, tratamento e formas de prevenção.
O que é o estiramento da coxa?
Segundo o especialista, a parte posterior da coxa funciona como uma corda elástica formada por milhares de fibras musculares. O estiramento da coxa ocorre quando essa estrutura é exigida além do seu limite.
A lesão é classificada em três graus:
Grau 1 (leve): micro-rupturas nas fibras musculares, com dor leve ou sensação de fisgada, mas preservação da marcha;
Grau 2 (moderado): ruptura parcial do músculo, dor intensa, inchaço e presença frequente de hematoma;
Grau 3 (grave): ruptura total, com perda significativa de força, dor intensa e dificuldade ou incapacidade de apoiar o pé no chão.
Principais causas do estiramento da posterior da coxa
De acordo com o médico, a lesão geralmente acontece em movimentos explosivos, como arrancadas para alcançar a bola ou freadas bruscas.
Os fatores de risco mais comuns incluem:
- Fadiga muscular, quando o músculo já está cansado e responde mal ao esforço;
- Desequilíbrio muscular, especialmente quando o quadríceps está mais fortalecido que a musculatura posterior da coxa;
- Falta de aquecimento, ao realizar movimentos intensos com o corpo ainda despreparado.
Tratamento e tempo de recuperação
O tratamento da lesão na posterior da coxa depende do grau, mas todos os casos começam com o protocolo PRICE (proteção, repouso, gelo, compressão e elevação), associado à fisioterapia para controle da dor e da inflamação.
No grau 1, indica-se repouso relativo e exercícios leves de mobilidade.
No grau 2, a fisioterapia é mais intensiva, com foco na cicatrização adequada e no fortalecimento progressivo.
No grau 3, pode haver necessidade de cirurgia em casos específicos, como na avulsão do tendão, embora a maioria evolua bem com reabilitação rigorosa.
O tempo médio de recuperação é:
- Grau 1: 1 a 3 semanas;
- Grau 2: 4 a 8 semanas;
- Grau 3: 3 a 6 meses ou mais, quando há indicação cirúrgica.
Como prevenir
Na prevenção, o ortopedista é enfático: não basta alongar, é preciso fortalecer a musculatura. O equilíbrio de força entre a parte anterior e posterior da coxa é essencial para reduzir o risco de lesão.
Ele alerta que muitos casos atendidos envolvem atletas que passam a semana sedentários e exigem intensidade máxima no fim de semana. O aquecimento não deve ser negligenciado, ao menos dez minutos de polichinelos e trotes leves já preparam o músculo para o esforço.
A hidratação adequada também é indispensável, já que músculos desidratados são mais vulneráveis a rupturas. E, ao sentir qualquer fisgada, a orientação é clara: interromper a atividade imediatamente para evitar a progressão da lesão.